terça-feira, 3 de maio de 2011

another one


É só um cara.

Não o ‘denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu’. Nem o ‘sustentáculo de todos os ossos de seu corpo’, tampouco ‘o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência’.

É só um cara.

E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras.
Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou.

O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer.
Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava.

Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.

É só um cara. E não a sua vida.

E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário.

Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos.

Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo.

Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu.

Ele é só um cara.

E você já esqueceu outro caras antes.

(Autora:Tati Bernardi)